6º FestLabs reúne quase 600 integrantes do sistema de Justiça em evento nacional de inovação

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O 6º FestLabs Cuiabá 2026 reúne, nesta quinta e sexta-feira (20 e 21), quase 600 integrantes do sistema de justiça de todo o país para debater sobre tecnologia e inovação aplicadas aos serviços judiciários. Com o tema “Justiça Híbrida: Humanos, Dados e Inteligência Artificial”, o evento nacional conta com uma vasta programação, proporcionando conhecimento e network através de palestras, oficinas, talks, exposições e premiações.

Na abertura, ocorrida na manhã desta quinta-feira (20), no Cenarium Rural, o presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Edson Fachin, fez um pronunciamento exibido em vídeo, saudando a todos os participantes e realizadores do evento e pontuando que o tema do Encontro “Justiça Híbrida: Humanos, Dados e Inteligência Artificial” traduz uma questão incontornável dos tempos atuais. “A transformação digital não constitui um fim em si mesmo. A tecnologia, os dados e a própria inteligência artificial devem estar à serviço das pessoas, da ética, dos direitos fundamentais e da realização da Justiça”, enfatizou.

O ministro asseverou ainda a importância de transformar conhecimento em valor público, por meio da colaboração, da participação, da transparência e da acessibilidade, com foco na cidadania. “Isso requer formação contínua, decisões orientadas por evidências e abertura para racional e sistematicamente experimentar, corrigir rumos e também aprender apreendendo com os caminhos. É nesse ambiente que os laboratórios de inovação assumem mesmo um papel verdadeiramente estratégico. São espaços de escuta, espaços de criação em conjunto”, afirmou.

Por fim, o ministro Edson Fachin abordou sobre a aproximação entre instituições de Justiça dos países de língua portuguesa e anunciou a construção de uma rede lusófona de inovação, cooperação essa que vem crescendo e tomará novas dimensões em 2027, quando o CNJ sediará, em Brasília, uma edição internacional do FestLabs. “A travessia, contudo, começa aqui em Cuiabá, no encontro, na escuta e na disposição de compartilhar”, ressaltou.

Presente na abertura do encontro, a vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho afirmou que o FestLabs é um momento para troca de experiências, compartilhamento de projetos e ideias e, principalmente, para pensar coletivamente sobre quais caminhos devem ser percorridos diante de tantas transformações. “Esse evento também provoca na gente uma reflexão necessária: todas essas inovações tecnológicas têm impacto direto na forma de trabalhar e, consequentemente, na forma como entregarmos os serviços à sociedade. É certo que a inteligência artificial, a automação e a virtualização já estão em nossas estações de trabalho e nos possibilitam tornar nossas atividades mais ágeis, acessíveis e eficientes. Porém, é sempre bom recordarmos que tecnologia é meio e não fim. A Justiça existe para as pessoas”, asseverou.

conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e desembargadora do TRF 2, Andréa Cunha Esmeraldo agradeceu aos representantes dos tribunais de Mato Grosso pela organização do evento e acolhida aos participantes, que vieram de todo o Brasil. “É importante salientar o inequívoco papel do CNJ no fomento das políticas públicas do Poder Judiciário, mas nada é possível de ser realizado sem essa parceria que os tribunais têm nos oferecido”, registrou.

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A conselheira ressaltou ainda que o FestLabs chega à sua sexta edição como uma política consolidada, em que todos os tribunais brasileiros já contam com seus laboratórios de inovação. “Os laboratórios cresceram, a inovação ganhou espaço institucional e fomos aprendendo que boas soluções não nascem isoladamente. Para mim, um dos maiores valores desse nosso encontro é a oportunidade de aprendermos uns com os outros. Durante esses dois dias, teremos projetos, oficinas, experiências, tecnologias, dados, inteligência artificial, gestão e novas metodologias. Mas teremos, sobretudo, pessoas conversando com pessoas. […] Se ao final do FestLabs cada um de nós voltarmos para casa com uma nova pergunta, um questionamento, uma nova conexão ou uma ideia capaz de melhorar a vida de quem procura a Justiça, esse Encontro terá cumprido uma parte muito importante de sua missão”, declarou.

Coordenadora do Laboratório de Inovação do TJMT – InovajusMT e uma das coordenadoras do encontro, a juíza Joseane Quinto Antunes destacou a felicidade em receber integrantes do ecossistema de inovação do Judiciário brasileiro. “Recebemos pessoas de todas as regiões do país e das mais diversas áreas da Justiça, aqui reunidas para compartilhar experiências, construir conexões e discutir um tema especialmente relevante para a Justiça brasileira, que são os humanos, os dados e a inteligência artificial, um tema que nos convida a olhar para o presente e também para o futuro do Judiciário, sempre tendo em vista aquilo que deve estar no centro da inovação, que é o ser humano”, enfatizou.

Em seu pronunciamento, a presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, comparou o debate sobre inovação ao cuidado com um jardim. “Quando você pretende ter um jardim, quando você pretende ter uma plantinha, você cuida dela. E a questão da inovação é um cuidado. Um cuidado com o nosso desenvolvimento para a gente se calibrar com o desenvolvimento da própria sociedade. O desenvolvimento tem duas características. Ele tem a parte que faz e impulsiona e, via de consequência, fisicamente falando, tudo aquilo que é desenvolvido tem a involução também. Então, ao mesmo tempo em que gente dá um passo para a frente, somos chamados para tirar um passo para trás. Então esse cuidado que esses eventos fazem com que a gente pare pra pensar: tudo o que a gente tem que fazer para se esforçar para a frente e tomar cuidado para não ser arrastado para trás”, refletiu.

O diretor do foro da Seção Judiciária Federal de Mato Grosso, juiz federal Flávio Fraga e Silva afirmou que o se busca no FestLabs é o aprimoramento do processo judicial, desde a distribuição até a sentença. “Buscamos uma demanda que entre, por meio do advogado, lá no nosso protocolo e saia primeiro com uma decisão e uma sentença e, depois, um voto, um acórdão com a maior qualidade e a maior celeridade possível. Por isso que falamos duração razoável do processo e não simplesmente um processo célere”, disse.

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Juíza auxiliar da Presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT 23), Leda Borges de Lima pontuou que, como proposto no tema do FestLabs, o ser humano vem antes dos dados e da inteligência artificial. “Por mais que avancem os dados, a inteligência artificial e tudo o que vier depois dela, haverá sempre um ser humano por trás, na supervisão e à frente de tudo que está sendo feito. Só que essa ordem não se sustenta sozinha. Nenhuma resolução garante, por si só, que o ser humano permaneça à frente”, disse, complementando que essa garantia vem das pessoas.

“Pessoas que entendem a tecnologia o suficiente para supervisionar de verdade e não apenas para assinar embaixo. E essas pessoas estão aqui nessa sala. Vocês são os laboratórios de inovação de todos os tribunais. São quem testa primeiro, quem erra primeiro e quem descobre primeiro o que vai efetivamente funcionar”, afirmou, enaltecendo o público.

FestLabs – é o encontro nacional dos laboratórios de inovação do Poder Judiciário, reunindo magistrados, servidores, pesquisadores e terceiros para discutir o futuro da Justiça, apresentar projetos inovadores e se aprofundar em como tecnologia, dados e inteligência artificial potencializam soluções de impacto para o cidadão.

A sexta edição do evento, sediada em Cuiabá, é fruto de uma construção interinstitucional coordenada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT 23) e a Seção Judiciária Federal de Mato Grosso, contando com o apoio técnico e institucional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Participação de autoridades – Compareceram ao evento a conselheira do Conselho Nacional de Justiça Noêmia Porto (juíza do TRT 10); o coordenador do Comitê de Governança e Gestão de Inteligência Artificial do Poder Judiciário de Mato Grosso, desembargador Luiz Octávio Oliveira Saboia Ribeiro; a desembargadora federal do TRF 3, Cristina Nascimento de Melo; a segunda subdefensora pública-geral do Estado de Mato Grosso, Maria Cecília Alves da Cunha.

Também participaram do evento os juízes auxiliares da Presidência do CNJ, Luciana Ortiz Tavares Costa Zanoni, Dorotheo Barbosa Neto; Henrique Dada Paiva e João Thiago de França Guerra, bem como a juíza auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça, Luciana Dória Medeiros; o juiz TJ da Paraíba e colaborador do Programa Conecta, do CNJ, Jeremias de Cássio Carneiro de Melo.

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