Psicólogo aborda desafios de saúde mental na trajetória de vida de pessoas autistas

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Ao longo da vida de qualquer pessoa, desde a infância, passando pela adolescência, até a vida adulta, desafios e pressões sociais vão surgindo, de forma progressiva. Esses desafios podem contribuir mais ou menos na promoção da saúde mental de cada indivíduo, inclusive no caso de pessoas autistas. Foi essa trajetória de pessoas neurodivergentes que o psicólogo e doutorando em Psicologia, Marcelo Zanotti, abordou em sua palestra durante o evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência – PCD”, na manhã desta sexta-feira (9), no Cenarium Rural, em Cuiabá.

“Uma coisa que eu quero deixar bem claro é que não é o fato de se ter autismo que necessariamente leva o indivíduo a uma vida de sofrimento e adoecimento mental. Tudo tem a ver com a relação que é estabelecida desse indivíduo com o ambiente em que ele vive. Se é dado o suporte, se é dada a oportunidade, se é dado o acolhimento, ele consegue construir uma trajetória. E nós ajudamos ele também a construir uma trajetória em que ele permanece funcional, saudável e com maior qualidade de vida e bem-estar”, destacou Zanotti à imprensa.

Conforme o especialista, muitas vezes, o peso e a responsabilidade pela saúde mental recaem totalmente sobre o indivíduo e, no caso de pessoas autistas, sobre a família. No entanto, é preciso conscientização de que esse é um papel de toda a sociedade. “A gente precisa trabalhar uma visão ampliada do que é saúde. Não adianta você ajudar uma pessoa a melhorar sua saúde, se o contexto não ajuda também. Então a gente tem que reunir escolas, igrejas, todos os tipos de instituições sociais relevantes no processo de ajudar a construir esse ambiente que vai promover saúde”, ressalta.

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Zanotti reforça ainda que a atenção social aos neurodivergentes não deve estar restrita aos ambientes familiar e escolar. “É muito mais amplo, é uma questão de saúde, de acesso aos direitos civis. Então, todas as instituições públicas e privadas de relevância na sociedade precisam conhecer, precisam participar e precisam ajudar para que possamos construir esse ambiente fortalecido para ajudar a essas pessoas”, defende.

A palestra completa do psicólogo Marcelo Zanotti, bem como as demais palestras do evento, podem ser conferidas no canal do TJMT no YouTube.

Experiência de um piloto autista

Presente no evento TJMT Inclusivo, Dimy Kalinowski, 25, o único piloto autista (nível 2 de suporte) federado à Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), conta que ao longo de sua trajetória sempre contou com o apoio de muitas pessoas, principalmente de sua mãe Eliane, mais conhecida como Branca. Ele é vice-campeão de kart de Mato Grosso, já competiu também nas maiores competições do país, como a Copa São Paulo de Kart e o Campeonato Brasileiro de Kart.

“Essa é minha trajetória no kart. Além de já ter participado de eventos de automobilismo, não necessariamente como piloto, e ter conquistado pódios, voltas mais rápidas, mostrando sempre as capacidades do autismo porque quando um autista compete em condições de igualdade com os demais e tem um resultado desses, mostra o que um autista pode fazer. Por fim, realmente ser autista pode acabar fazendo com que eu perceba as coisas de um jeito diferente. É uma dificuldade extra que eu tenho, mas que não me limita em qualquer coisa, inclusive nas corridas”, afirma Dimy.

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Suporte na rede municipal de ensino

A segunda edição do “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência – PCD”, contou com a participação de cerca de mil pessoas, somente durante a manhã desta sexta-feira (9), a grande maioria cuidadoras de alunos com deficiência (CADs) da rede de ensino municipal de Cuiabá, além de outros profissionais das áreas de Educação, Saúde e Direito.

A CAD Roseli Pereira Pinho destaca que já participa desde a primeira edição e que vem se aprimorando no atendimento aos alunos com deficiência. “Cada vez que eu venho é uma aprendizagem maior. Nessas palestras você vem, escuta, aprende e aplica na criança. O meu aluno do 4º ano não sabia ler. Hoje ele lê, escreve, se comporta como qualquer outra criança. E eu agradeço por todas as palestras porque é muito importante pra gente que está nessa área, trabalhando com criança que tem deficiência”, avalia.

Outra cuidadora de aluno com deficiência que participou do evento foi Luciana Oliveira Resende. “É muito importante que a gente tenha capacitação pra poder atender melhor as nossas crianças”, diz.

A organização do TJMT Inclusivo é da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso, presidida pela desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), Escola dos Servidores, Prefeitura de Cuiabá e Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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